Assim como nos humanos, nos gatos, os rins desempenham um papel fundamental na manutenção da saúde dos felinos. Eles ajudam a controlar a pressão arterial, regulam o fluxo sanguíneo, produzem hormônios e enzimas importantes, glóbulos vermelhos e removem os resíduos metabólicos do sangue. 

Por isso, se os rins não conseguirem fazer o seu trabalho de forma adequada, isso poderá levar a problemas significativos como a insuficiência renal, e que, se não tratados a tempo, podem levar à morte. 

A doença renal crônica (DRC) é caracterizada pela perda das unidades funcionais dos rins, conhecidas como néfrons. De acordo com o Dr. Anderson Yogi, médico-veterinário da Petz, um dos principais motivos para isso tem origem fisiológica. “Gatos têm aproximadamente 200 mil néfrons quando comparados com cães, que apresentam mais de 400 mil”, ilustra o veterinário. 

Segundo ele, isso ocorre porque, na natureza, os felinos se alimentam de caça, um alimento naturalmente mais úmido. Já em casa, a administração de rações secas aliada a uma baixa ingestão de água, típica dos gatos, acaba sobrecarregando ainda mais os rins. 

Diagnóstico precoce ainda é o melhor tratamento

Infelizmente, a doença renal crônica (DRC) é uma doença silenciosa onde os sinais geralmente não aparecem até que 75% da função renal esteja comprometida. Estima-se que 1 a cada 3 gatos venham a desenvolver a doença. Por isso, é fundamental que você faça check-ups regulares no seu gato, pois, quanto antes a doença for diagnosticada, mais tempo você terá para proporcionar qualidade de vida ao bichano e uma melhor resposta ao tratamento. 

Nos gatos entre 10 e 15 anos de idade, as chances de desenvolver problemas renais simplesmente dobram, por isso é importante que gatos com 7 anos ou mais façam uma avaliação periódica mais frequente (recomenda-se a cada seis meses). 

Causas comuns de insuficiência renal em gatos

Existem dois tipos de insuficiência renal em gatos: a insuficiência renal aguda e a renal crônica. Na insuficiência renal aguda, os sinais geralmente se manifestam por uma semana ou mês, enquanto na insuficiência renal crônica eles permanecem por um período maior. 

Estudos sugerem que raças como Persas, Abissínios, Siameses, Ragdolls, Birmaneses, Maine Coons, Azuis Russos e Angorás têm mais chances de desenvolverem a doença, pois são predispostos geneticamente a ela, embora ainda não exista nenhuma evidência conclusiva sobre isso. 

Algumas das possíveis causas de insuficiência renal em gatos incluem: 

  • Diminuição do fluxo do sangue e da urina aos rins
  • Pressão arterial alta
  • Câncer
  • Obstruções como pedras nos rins
  • Ingestão de substâncias tóxicas, como anticongelantes, pesticidas, medicações, plantas e materiais de limpeza
  • Uso inadequado de medicamentos e sem acompanhamento veterinário
  • Doença dentária avançada
  • Doenças inflamatórias bacterianas prolongadas como peritonite, leptospirose, FIV (Aids felina) , FELV (leucemia felina) e pancreatite são algumas doenças associadas à insuficiência renal felina.
  • Predisposição genética à doença
  • Idade avançada
  • Alimentos com altos níveis de fósforo ou aumento dos níveis de proteína poderão aumentar a progressão da doença
  • Gatos de rua possuem maior risco de problemas agudos devido ao potencial aumento de exposição a toxinas.

Principais sintomas

Como falamos anteriormente, a doença renal crônica é silenciosa e seus sintomas são difíceis de serem detectados devido à similaridade com outros distúrbios como o diabetes ou o hipertireoidismo. Também, por ser uma doença progressiva, os sintomas podem não ser aparentes por um bom tempo. 

De acordo com o Dr. Anderson Yogi, a insuficiência renal em gatos é classificada em 5 estágios, sendo que os primeiros sinais clínicos costumam surgir entre o 2º e o 3º estágio. São eles:

  • apetite seletivo
  • aumento da ingestão de água
  • aumento do volume urinário
  • urina mais clara que o normal

Conforme a doença vai avançando, os rins vão ficando cada vez mais comprometidos e os sintomas também se tornam mais graves como:

  • anorexia
  • anemia
  • hipertensão
  • desidratação
  • perda de peso progressivo
  • alterações gastrointestinais (vômitos e diarreia)
  • perda de controle ácido-base no organismo
  • Má aparência da pelagem
  • Letargia e depressão
  • Perda de peso
  • Mau Hálito
  • Feridas ou úlceras na boca
  • Diarreia ou constipação
  • Aumento de sono

Por isso, ao perceber qualquer mudança no comportamento ou nos hábitos do seu gato, não hesite em levá-lo imediatamente a um médico-veterinário! 

Tratamento

O diagnóstico da doença renal crônica consiste não apenas em identificar os sintomas, mas também em realizar exames clínicos e laboratoriais e de imagem, além de analisar o histórico do paciente. 

Segundo o doutor Yogi, já existem exames precisos nessa área. “Hoje já se utiliza o SDMA (dimetilarginina simétrica) como ferramenta para um diagnóstico mais precoce em relação à creatinina”, comemora o especialista. Segundo ele, o exame é capaz de identificar casos a partir da perda de 25% da função renal. 

O tratamento da insuficiência renal aguda é individualizado e varia de caso para caso, dependendo dos sintomas e do estágio em que se encontra a doença. Vale ressaltar que não existe cura para a insuficiência renal, apenas o controle de sua progressão. Para isso, algumas medidas incluem uma dieta controlada (com rações próprias para gatos com problemas renais), uso controlado de medicamentos e fluidoterapia. O ideal é combinar o uso de ração seca com a úmida, que possui mais água em sua composição. Bebedouros do tipo fonte, como os que você encontra no OGato Design, também ajudam a estimular o consumo de água dos gatos. 

Além disso, é importante sempre trocar a água do seu gato constantemente, fornecer a ele uma boa nutrição e manter as consultas periódicas ao médico-veterinário. Somente assim, o profissional poderá diagnosticar e iniciar o tratamento com rapidez, para promover maior longevidade e qualidade de vida para o seu bichano. 

Fontes: 

Hill´s – https://bit.ly/2QZoG02 

Blog Petz – https://bit.ly/3fTc2Z1 

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