Quem tem gato sabe: são animais lindos, fofos e que dão muita vontade de apertar. Porém, será que seu gato sempre quer esse tipo de interação?
Muitas vezes um carinho pode não ser encarado como tal na visão do gato, e ele pode acabar reagindo negativamente. O tutor passa então a se perguntar: o que tem de errado? “Ele me pediu carinho e me mordeu!” ou mesmo “estava lá curtindo o carinho e do nada me deu uma patada!”
É importante lembrar que uma reação negativa nunca acontece do nada. Ela sempre vem acompanhada de pequenos sinais de linguagem corporal, que nos indicam que o gato pode não estar gostando tanto assim do carinho. A mordida e/ou patada aparecem como um “estopim”, um pedido claro para que a interação termine ali.
Alguns sinais negativos mais sutis que podem ocorrer:
– Sai de perto do tutor;
– Afasta com a patinha;
– Se esquiva;
– Dilata as pupilas (atentar para as condições de luz do ambiente, que também interferem)
– Fica com os músculos tensos;
– O rabo bate com força ou chicoteia para os lados;
– A expressão facial fica fechada, com os músculos da face contraídos; – As orelhas ficam viradas para o lado ou achatadas;
– Ou simplesmente não mostra reações positivas;
São alguns sinais de que a interação não está agradando. Alguns gatos nunca chegam a reagir negativamente de forma clara, e dão apenas pequenos sinais de insatisfação – como o bater da cauda – sem necessariamente chegarem a morder e arranhar. Mas esses pequenos sinais mostram que o gato está apenas tolerando o carinho, o que deixa de ser positivo. Uma dica é anotar esses episódios, para tentar descobrir qual o fator desencadeador da reação negativa e assim conhecer melhor as preferências do seu gato!
Mas então como saber quando o gato está realmente gostando do carinho? Seu gato vai demonstrar alguns sinais como:
– Pisca lentamente os olhos, e pode até fechar os olhinhos;
– Pede por mais interação, seja dando cabeçada ou se esfregando;
– Permanece com o corpo tranquilo e relaxado;
– Os músculos da face também ficam relaxados e descontraídos;
– Ronrona – atentar que o ronronar também pode ser um pedido por comida ou mesmo dor, por isso é importante interpretá-lo juntamente com o restante da linguagem corporal;
– Lambe o tutor;
– Baba – em forma de pequenas gotinhas que caem durante o carinho; – Pode miar por mais;
– Levanta o traseiro – ao mostrar suas glândulas odoríferas anais, o gato mostra seu “íntimo” e, portanto, demonstra que confia em você;
– Rabo levantado com a pontinha virada ou com a base tremendo – quando o gato está de pé;
Ou seja, ele te mostra que quer continuar interagindo!
É importante destacar que algumas vezes também pode acontecer do gato pedir por carinho, mas não responder positivamente. Nesse caso, existem alguns motivos para esse comportamento:
– Falha de comunicação: o gato não necessariamente estava pedindo carinho, mas sim comida ou brincadeira, por exemplo.
– Dor: mesmo gatos que são aparentemente saudáveis podem sofrer de dores crônicas (até mesmo articulares) e por isso reagem negativamente ao serem tocados em determinadas partes do corpo – nesse caso, consulte um veterinário!
– Região inadequada: cada gato possui áreas do corpo mais e menos preferidas. Um carinho em uma parte do corpo que ele não gosta se torna negativo.
– Excesso de energia: muitos gatos podem atacar quando estão agitados e precisando brincar;
– Linguagem corporal: o tutor não se atenta à linguagem do gato e não percebe que ele já está satisfeito com o carinho;
– Superestimulação: um carinho por muito tempo também pode ocasionar reações negativas, assim como carinhos muito brutos para gatos que não gostam;
Algumas considerações muito importantes: Evite fazer carinho na hora da brincadeira, já que os gatos levam a caça a sério!
Também é importante esperar que o gato venha pedir por carinho. Se ele pediu, é por que realmente quer. Nesse caso é mais certo que o gato esteja aberto a interações, já que um carinho não solicitado e/ou constante pode não ser visto como um carinho na visão de alguns gatos. Esse tipo de interação ainda pode ocasionar estresse e sensação de falta de controle sobre o ambiente e território.
É sempre melhor dar preferência por áreas mais amadas, como o queixo e a bochecha, por exemplo. Mas também observe como ele reage a esse carinho, já que alguns gatos podem preferir contato em outras regiões. Aquele clássico mapinha de áreas permitidas e proibidas pode não caber para muitos gatos, já que cada indivíduo é único e tem suas próprias preferências.
Evite fazer carinho em regiões que seu gato não gosta ou apenas tolera. Muitos gatos não gostam de carinho na barriga, por exemplo, e é preciso respeitar as preferências deles. Pode ser muito difícil resistir a uma barriga peluda dando sopa, mas se o seu gato não gosta de carinho na região, a interação deixa de ser positiva! Lembre-se: quando um gato mostra e exibe a barriga significa que confia no tutor. Mas isso não necessariamente é um convite para colocar a mão nela;
Por fim, com o tempo você vai aprendendo o que seu gato gosta e as interpretações de linguagem corporal se tornarão automáticas. Não se esqueça que cada gato tem sua individualidade. Se você tem mais de um gato com certeza já notou o quanto eles são diferentes entre si, e é isso que os torna tão especiais!
Nathalie Amorim Fernandes
Bióloga, Mestre e Pós-graduanda em Comportamento Animal
Ceci Cat – @cecicatcom